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Por Paula Schauenburg Gomes – graduanda em Ciências Biológicas pela FMU, trabalha na área Administrativa da Nidera há 4 anos e há 6 meses integra também a equipe de Sustentabilidade.

São Paulo, 20 de abril de 2016 – Relacionar a agricultura à Amazônia pode ser um assunto delicado, dentre vários motivos, por se tratar de uma floresta continuamente ameaçada pelo homem. Nesse contexto, a expansão agrícola aparece como uma questão atual e nos faz indagar, por exemplo, quais seriam os benefícios ou malefícios desse processo de expansão.

Buscando responder a essa pergunta – e uma vez que o segmento da soja tem ganhado espaço na região – um grupo de cientistas¹ publicou um artigo (ACTA Amazônica2, 2013) que avalia os impactos do avanço da soja na região leste da Amazônia. O estudo mostra que o processo de expansão da monocultura na Amazônia pode ser prejudicial não só para a floresta, como também para a própria agricultura.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores trabalharam com o princípio de que a floresta controla o regime climático de sua região e o uso da terra para fins agrícolas ocasiona sérias mudanças nos processos de trocas gasosas entre a superfície e a atmosfera, devido à contínua mudança na arquitetura da vegetação, e, consequentemente, no transporte de vapor d’água. Deste modo, considerando o nível de desmatamento atual, até 2050 seria esperada uma significativa redução no volume de chuvas. Vinculando este dado ao processo de aquecimento global, aconteceria a diminuição da produtividade agropecuária local de 30% a 34%. Já a elevação da temperatura poderia ocasionar uma redução no plantio de soja de 24% (considerando legislação ambiental implementada e governo atuante) a 28% (considerando cenário de desmatamento intenso).

Ainda segundo o estudo, as consequências climáticas seriam mais visíveis nas regiões leste do Pará e norte do Mato Grosso. Desse modo, a agricultura correria o risco de se tornar até mesmo inviável nessas regiões.

Assim, os pesquisadores demonstraram que, para níveis elevados de desmatamento, a regulação climática realizada pela floresta cairia tanto que afetaria significativamente a própria produção agrícola. Ou seja, se perderia em serviços prestados pela floresta e também em produtividade agrícola.

¹ SOUZA P.J de; ROCHA E. J. da; RIBEIRO A.
2 Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

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