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Portal da Cofco para difusão de boas práticas agrícolas no Brasil!

Por João M. T. Mascarenhas – agrônomo e mestrando em fitotecnia pela UFPR, trabalha na Nidera Sementes há 4 anos integrando a equipe de Desenvolvimento de Produtos.

São Paulo, 15 de setembro – Para os agricultores que cultivam em área de sequeiro no Brasil, que correspondem a 95% da área (MMA/ANA), utilizar água de forma consciente significa reter, de todas as maneiras possíveis, a água proveniente das valiosas chuvas. Cabem, então, todas as práticas conhecidas, começando pelo plantio direto, empalha, curvas de nível e tanques de contenção, que ajudam no controle da erosão, além da implementação da fertilidade, que permitirá melhor desenvolvimento de raízes e medidas às vezes esquecidas de melhoria da condição física dos nossos solos.

Na América Latina, o escoamento superficial médio das precipitações naturais representa 30% do volume do planeta, sendo 50% superiores à média mundial. Portanto, são fundamentais iniciativas de retenção da maior quantidade possível de água na camada de desenvolvimento das raízes de nossos principais cultivos. Da mesma forma, todas as técnicas de convívio produtivo amigável com a natureza são bem vindas para mantermos a agropecuária ativa e sustentável. Por exemplo, com solos cobertos com palha temos menos erosão e melhor produtividade, com matas ciliares temos rios e nascentes protegidos e mais água passível de utilização.

Estima-se que no Brasil, 68% da água captada é destinada à agricultura, 14% à indústria e 18% ao abastecimento da população (TUCCI, 2009). Segundo a Agência Nacional de Águas, 5,5 milhões de hectares no Brasil são irrigados, mas ainda há possibilidade e necessidade de expansão, apesar de toda a demanda com a racionalização do uso da água.

Um sistema de irrigação considerado econômico, como o gotejamento, se mal manejado pode consumir tanta água quanto os métodos considerados tradicionais, por exemplo. De qualquer forma, é mandatório o controle da quantidade de água necessária em determinado momento e a utilização racional sempre minimizando o escorrimento. Com isso, melhoraríamos a eficiência média da irrigação, que hoje é de apenas 45% (IDB, 1998).

A cada ano que passa, iniciativas de estocagem de água tornam-se mais importantes. Nos casos em que os órgãos ambientais avaliem que é possível e não comprometa o ambiente, o armazenamento de água represada é uma forma de garantirmos disponibilidade em épocas de escassez. Também notamos que alguns modelos urbanos de aproveitamento de água, como captação da água da chuva dos telhados em cisternas e reutilização de água de lavagem estão sendo utilizados em propriedades rurais.

Considerando que a demanda de água é crescente em países como o Brasil, a análise e prática constante do uso correto das águas pela agropecuária e também nos centros urbanos demonstra nossa responsabilidade com a sociedade e com os nossos recursos naturais.

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Crédito imagem: Arquivo ABr

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