Abrir/Fechar Menu
Portal da Cofco para difusão de boas práticas agrícolas no Brasil!


Por Luís César Cassol – Professor do Curso de Agronomia da UTFPR/Campus Pato Branco; secretário do NEPAR; diretor técnico da AEAPB.

São Paulo, 28 de outubro – Na década de 90, baseado em atividades organizadas por várias instituições contando com recursos a fundo perdido, o Paraná desenvolveu ações que buscavam a recuperação e preservação da capacidade produtiva dos solos. Uma série de programas tornou o Estado uma referência mundial em Conservação dos Solos e da Água. Preservar estes recursos naturais não deve apenas ser uma obrigação legal (Lei n° 8014/1984), mas, principalmente, um ato consciente de quem usa a racionalidade em nome de um bem maior, que é o desenvolvimento das nações através da segurança alimentar e da preservação do meio ambiente.

Baseando-se num excesso de confiança em resolver problemas e na busca desesperada pelo produzir cada vez mais e a qualquer custo, algumas formas mais elementares de conservação do solo e da água foram esquecidas pelo homem. Um dos principais erros foi acreditar que o sistema plantio direto, isoladamente, seria suficiente para conter a erosão. Mesmo quando conduzido respeitando os seus três pilares fundamentais, quais sejam rotação de culturas, revolvimento de solo exclusivamente na linha de semeadura e presença de uma quantidade adequada de palha na superfície, as outras boas (e velhas) práticas de conservação do solo e da água não podem ser abandonadas.

É inadmissível que, atualmente, ainda se discuta se os terraços são importantes e necessários no sistema de plantio direto. É uma pena a ONU (Organização das Nações Unidas) se ver obrigada a decretar 2015 como o Ano Internacional do Solo para conscientizar a sociedade civil e os tomadores de decisões sobre a profunda importância deste recurso. Se alguém tem alguma dúvida disso realmente não sabe de onde saem os alimentos e ignora que, conforme citado pela Embrapa, “se não houver solos de qualidade não há água de qualidade, ar de qualidade e clima de qualidade. Portanto, se não conservarmos os solos, a vida como conhecemos hoje deixará de existir”. É quase um tapa na nossa cara o TCU (Tribunal de Contas da União), preocupado com o mau uso do dinheiro público, promover uma conferência para discutir a Governança do Solo, a partir do dado de que 33% das terras apresentam alto ou médio grau de degradação devido à erosão, salinização, compactação, impermeabilização e poluição química.

Recentemente, temos assistido discursos (corretos) de profissionais vinculados a grandes empresas multinacionais preocupados com a pouca ou nenhuma rotação de culturas nas lavouras, ocasionando a perda de eficiência de alguns fungicidas e com o aumento da resistência de plantas daninhas a herbicidas, além de falarem que a palha é o melhor herbicida pré-emergente disponível no mercado. Mesmo que por linhas tortas, este pode ser o início do salvamento dos solos, através da retomada de um sistema de plantio direto de qualidade, com adição de biomassa e cobertura permanente, através da diversificação da produção; do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas, de produtos e uso de outras formas de controle; da importância de manter a água dentro das lavouras, através de barreiras de contenção ao escoamento; do controle de tráfego de máquinas e de animais e do uso racional e eficiente dos insumos agrícolas.

Em síntese, é necessário exercer a ciência agronômica na sua essência, de forma integrada e, principalmente, buscando a sustentabilidade das práticas agrícolas que nos conduzirão para um ambiente mais saudável e com menos riscos. Por vezes, é preciso dar um passo para trás para dar dois passos para frente.

|

Para conhecer outros textos dos Colunistas do Agricultura Consciente, acesse http://agriculturaconsciente.com.br/colunistas/

|

Crédito imagem: Flickr

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil, exceto quando especificado em contrário e nos conteúdos replicados de outras fontes.