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Após verem parte da produção estragar por falta de aproveitamento, agricultores cariocas se uniram em uma cooperativa que acaba de inaugurar mais uma unidade de beneficiamento de polpa

São Paulo, 09 de janeiro – Até pouco tempo limitados à venda da produção in natura nos mercados locais, além de algumas participações individuais nos mercados de compras públicas – e sempre vendo parte da produção estragar por impossibilidade de aproveitamento -, 21 agricultores familiares fruticultores de Mesquita, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, resolveram se unir em busca de melhoria de renda e de qualidade de vida.

Em um exemplo de empreendedorismo no meio rural eles criaram, em 2012, a Cooperativa Agropecuária de Mesquita (Coopamesq), conquistaram apoio financeiro e assistência técnica, construíram uma agroindústria para o beneficiamento da produção e deram início ao processamento de polpas de frutas para melhor aproveitamento da cadeia produtiva frutífera.

Produtos com registro e selo de origem

No final do ano passado, os agricultores deram mais um passo com a inauguração da unidade de beneficiamento que, em sua primeira leva de produção, processou 107 quilos de polpa de acerola, envasados em pacotes de 100 e 500 gramas e prontos para o consumo.

Quando as novas safras atingirem o ponto de colheita os fruticultores darão início à produção de mais oito sabores de polpas de frutas. Todas as variedades de polpas processadas pela cooperativa possuem registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e contam também com o Selo de Produto Genuíno de Mesquita, expedido pela prefeitura para identificar, agregar valor e divulgar a agricultura local.

Para a presidente da Cooperativa, Vitória Dourado, a entrega da primeira remessa de polpa de acerola não marcou somente a inauguração da unidade de beneficiamento de frutas da Coopamesq, mas também representou o início de uma reviravolta nas condições de trabalho e de vida dos agricultores cooperados. “Antes disso a gente perdia muita fruta. Era dinheiro jogado fora porque não tinha como aproveitar a produção que não era vendida. O início das operações da agroindústria vai melhorar a renda dos nossos agricultores. Nosso sucesso agora só depende da gente”, celebrou.

 

Sustentabilidade

Fabio Villas Bôas, engenheiro agrônomo da Secretaria Municipal de Trabalho, Desenvolvimento Econômico e Agricultura (Setrades) de Mesquita, que acompanhou todo o processo, destacou que a proteção do meio ambiente foi uma preocupação durante o desenvolvimento do projeto agroindustrial.

Como os agricultores envolvidos residem e produzem em áreas de proteção ambiental, diversas restrições e cuidados especiais foram observados na produção das espécies frutíferas. “Utilizamos práticas agroecológicas de cultivo objetivando não somente preservar o meio ambiente, como também oferecer um produto saudável e seguro ao consumidor. Os adubos e defensivos utilizados por eles (agricultores), por exemplo, são alternativos e certificados”, explicou.

Foco nas compras públicas

Dentro do plano de negócios desenvolvido pela cooperativa, a venda das polpas será feita, inicialmente, apenas no mercado local, como estratégia para conquistar clientes e divulgar a marca. Mas a meta dos pequenos produtores rurais da Coopamesq, segundo sua presidente, a agricultora Vitória Dourado, é a entrada no mercado das compras públicas, principalmente na venda para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

“Todos os nossos agricultores têm DAP individual (Declaração de Aptidão ao Pronaf) e a cooperativa já possui a sua DAP jurídica. Então a ideia é disputar espaço para nossos produtos, dentro dos 30% que cabem à agricultura familiar nas compras do Pnae”, afirmou Dourado.

Sipaf

E para ganhar vantagem competitiva nesses mercados, a cooperativa se prepara para solicitar o Selo de Identificação da Participação da Agricultura Familiar (Sipaf), expedido pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) e também, o Selo de Produto Orgânico, concedido pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT).

“A produção é toda familiar e sustentável, daí porque iremos requisitar a expedição do selo do INT e o Sipaf. Enquanto o primeiro atesta que o produto cumpriu regras as do sistema orgânico de produção, o segundo assegura que o mesmo tem sua origem na agricultura familiar. Ambos agregarão valor às polpas de frutas e darão segurança ao consumidor quanto à qualidade e a origem dos alimentos”, justificou Villas Bôas.

 

 

Fonte: Secretaria de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário

Foto: tomazalves1 / Pixabay.com

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